O Hospital São Paulo deu início a um importante projeto para aumentar a segurança do paciente cirúrgico, denominado Cirurgia Segura. O foco central é a utilização de um instrumento de checagem, uma lista de averiguação ou check-list, que antecipadamente confere as várias etapas do período perioperatório – antes, durante e depois da cirurgia –, para evitar intercorrências e eventos adversos que possam levar a complicações, desde as infecciosas até o aumento do período de internação e mesmo o óbito.
O check-list será adotado em todas as cirurgias e nos procedimentos terapêuticos invasivos não cirúrgicos, como os realizados na hemodinâmica. A dra. Rita Rodrigues, responsável pela implantação do programa no HSP, informa que muitos processos contemplados no check-list já fazem parte da rotina da instituição, mas agora serão padronizados e atualizados de acordo com as recomendações da World Health Organization (WHO). “Agora, os profissionais seguirão um protocolo adotado mundialmente.”
Segundo ela, tudo isso faz parte de uma atitude segura, movimento que deve ser disseminado e institucionalizado, pois “onde tem segurança tem qualidade”. O uso do check-list envolve mudanças no sistema e no comportamento de todo o time cirúrgico. Todas as tarefas e procedimentos têm de ser desenvolvidos e realizados, antecipando e minimizando a possibilidade da ocorrência de erros. “O erro não é da pessoa, é do processo, do sistema; portanto, providências devem ser tomadas antes que o erro e o dano aconteçam.”
O projeto, que está em fase final de elaboração, será implantado inicialmente em quatro disciplinas previamente selecionadas, num piloto com dois meses de duração. A próxima etapa será uma campanha de sensibilização dos médicos, para que todos entendam as vantagens e os benefícios da implantação do protocolo de cirurgia segura. “Estamos prevendo o início para março de 2012”, informa a especialista.
No Hospital São Paulo/HU/SPDM, são realizadas mensalmente cerca de 1.700 cirurgias de diversas especialidades, tanto nas 21 salas do seu centro cirúrgico do 5º andar quanto naquelas localizadas na Casa da Mão e da Oftalmologia. “Esse trabalho não será estanque. Ao contrário, será constante e dinâmico, com monitoramento e controle dos resultados obtidos, antes e depois da implantação, para promover a melhoria contínua dos processos envolvidos no período perioperatório do paciente”, finaliza a dra. Rita.
Aliança Mundial para Segurança do Paciente - Há anos tiveram início vários projetos em todo o mundo para aumentar a segurança e diminuir a morbidade e a mortalidade dos pacientes cirúrgicos. Estima-se que ocorram no mundo 234 milhões de cirurgias por ano, das quais 7 milhões evoluem com complicações, com 1 milhão de mortes. Pelo menos 50% dessas complicações podem ser evitadas. Em 2008, a WHO lançou um check-list de averiguação reunindo 19 itens considerados essenciais para serem observados antes, durante e depois das cirurgias, com o objetivo de diminuir a morbimortalidade operatória.


