Criopreservação de gametas e embriões

img-criopreservacao-02A criopreservação  (“congelamento”) é uma técnica que permite manter materiais biológicos, em temperatura extremamente baixa (tanques de nitrogênio líquido, -196⁰C), preservando-os vivos, podendo ficar assim por vários anos.  A técnica atual utilizada é a vitrificação,  que evita a formação de cristais de gelo, que podem destruir sua arquitetura celular. Podem ser criopreservados espermatozoides, óvulos e embriões. Também podem ser criopreservados fragmentos de ovário e de testículo.

A criopreservação de óvulos é utilizada em pacientes que desejam preservação da fertilidade:

  1. casos em que a paciente tem diagnóstico de doença cujo  tratamento pode prejudicar a reprodução (quimio ou radioterapia);
  2. quando for necessária cirurgia que possa comprometer os ovários (endometriose extensa);
  3. em pacientes que realizam a fertilização in vitro, podem ser obtidos apenas oito embriões no laboratório (Conselho Federal de Medicina). Assim, é possível que existam óvulos excedentes que não possam ser fertilizados. Por opção do casal, mediante consentimento por escrito, esses óvulos podem ser criopreservados par uso futuro.
  4. com a postergação da gravidez e a natural perda de quantidade e qualidade dos óvulos com a idade, mulheres sem parceiro tem recorrido à vitrificação de óvulos,  para uso futuro.

apmtzHá pelo menos um relato de gravidez obtida a partir de um óvulo congelado por quase 20 anos (http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/10/bebe-nasce-de-embriao-congelado-ha-quase-20-anos.html)

A criopreservação de espermatozoides permite armazenar e garantir que essas células sejam utilizadas em tratamentos futuros de Reprodução Assistida. A técnica de ICSI permite que um número muito pequeno de espermatozoides possa ser utilizado para  fertilizar os óvulos, aumentando as chances de gravidez mesmo nos casos de pacientes que apresentam baixa qualidade seminal. A criopreservação de sêmen é muito eficaz. Por exemplo,  o paciente americano Chris Biblis congelou sêmen entre 13 e 18 anos, por tratamento de leucemia por radioterapia. O material foi utilizado 21 anos depois, fertilizando óvulo da esposa (ICSI) e gerando a menina Stela. (https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2009/04/090414_bebesemencongeladomv).

A colheita se faz por masturbação (se possível) ou por meio cirúrgico. As principais indicações para o congelamento de sêmen são:

1)  Pacientes com diagnóstico de câncer ou de qualquer outra doença cujo tratamento poderá afetar a Fertilidade Futura (no caso de câncer, quimio ou radioterapia);
2)  Pacientes que serão submetidos às cirurgias que possam comprometer a produção de espermatozoides e/ou a ejaculação (cirurgias de próstata, bexiga, testículos, uretra, resseção linfonodos);
3)  Pacientes que serão submetidos às cirurgias para obtenção de espermatozoides dos epidídimos (MESA) ou testículos (TESE) para uso em técnica de micromanipulação de gametas (ICSI);
4)  Indivíduos que trabalham em profissões de risco como os mergulhadores profissionais;
5)  Indivíduos que ficam expostos a agentes químicos ou metais pesados como os profissionais de indústrias químicas, aqueles que lidam com pesticidas e agrotóxicos, e aqueles que trabalham com radiações ionizantes;
6)  Indivíduos que serão submetidos à cirurgia de vasectomia.

Embriões podem ser criopreservados em casais que realizam fertilização in vitro, com permissão expressa do casal, por meio de consentimento escrito. Se forem produzidos oito embriões no laboratório (máximo permitido pela resolução do Conselho Federal de Medicina) , apenas dois ou tres serão transferidos, conforme a idade da mulher. Os outros obrigatoriamente devem ser criopreservados. Se o casal optar por não criopreservar embriões, serão fertilizados apenas dois ou três óvulos, em obediência à resolução. Há relato de gravidez com embrião transferido após estar congelado por 27 anos (https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/12/02/bebe-nasce-de-embriao-congelado-ha-27-anos-e-quebra-recorde.htm)