Dúvidas Freqüentes

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1. Qual é o período fértil da mulher?

A mulher não é fértil durante todo o ciclo menstrual (período que vai do início de uma menstruação até o início de outra). Isso ocorre, apenas, durante um pequeno período do ciclo, quando o ovário elimina um óvulo (ovulação). Em média, a ovulação tem maior probabilidade de ocorrer entre o 12º e o 16º dias do ciclo menstrual.

2. Como reconhecer o período fértil?

Existem pelo menos quatro formas práticas, embora não exatas, de reconhecer a fase fértil da mulher:

  1. Algumas, no período próximo à ovulação, apresentam dor na parte baixa do abdômen. Embora possa ter outras causas, se a dor ocorrer mais ou menos 14 dias antes da próxima menstruação, pode ser indício de ovulação;
  2. Existe uma secreção mucosa que preenche a entrada do útero, chamada muco cervical. Quando se aproxima o período ovulatório, essa secreção aumenta e pode fluir como se fosse um corrimento vaginal, assumindo textura de “clara de ovo”;
  3. A temperatura do corpo da mulher aumenta durante o período ovulatório, permanecendo mais alta até a menstruação seguinte. Esse aumento pode chegar a meio grau centígrado e, para verificá-lo, é preciso tirar a temperatura do corpo todos os dias. Preferentemente, ela deve ser tirada pela manhã, antes de levantar-se, colocando-se o termômetro na boca (ao invés das axilas);
  4. Existe um teste hormonal (mede a concentração do hormônio luteinizante), feito na urina, para determinar o período ovulatório. Esse método é mais preciso que os anteriores, embora mais dispendioso.

3. Tendo relação no período fértil, vai ocorrer gravidez?

Não obrigatoriamente. Para acontecer a gravidez, muitas outras coisas têm que acontecer, além da ovulação: as tubas têm que capturar o óvulo, o espermatozoide tem que penetrar nas tubas e fertilizar o óvulo, o embrião formado tem que ser transportado até o útero e implanta-se. Todo esse funcionamento pode ser comprometido por vários tipos de doença, gerando defeitos que impedem a gravidez.

4. Por que não ocorre a gravidez?

Algumas alterações que podem impedir a gravidez, e as formas de se fazer um diagnóstico estão listadas abaixo:

  1. Falhas na produção dos espermatozoides: são evidenciadas por meio do espermograma;
  2. Defeitos da ovulação: o ultrassom transvaginal pode mostrar se houve ou não ovulação; as dosagens de hormônios podem indicar alterações na produção de óvulos pelos ovários;
  3. Obstrução das tubas: em geral, por endometriose ou infecções ginecológicas repetidas, impedem o transporte dos gametas e do óvulo. Isso se verifica por técnicas radiológicas (histerossalpingografia);
  4. “Incompatibilidade” entre o muco cervical e o espermatozoide: presume-se que essa incompatibilidade dificulte a entrada dos espermatozoides nos genitais femininos e impeça a fertilização do óvulo;
  5. Falta de fertilização do óvulo: defeitos no espermatozoide, verificáveis por testes específicos, podem impedir sua fusão com os óvulos;
  6. Falha de implantação: a penetração do embrião na cavidade uterina pode não acontecer e dificultar a gravidez. Não existem ainda testes adequados para essa avaliação.

5. Como se pode saber se existe algum problema de fertilidade?

Quando um casal tenta ter filhos durante um período de um ano e isso não acontece, na maioria das vezes, existe algum obstáculo que impede a gravidez. Nessa situação, o casal pode se beneficiar do auxílio médico, uma vez que o diagnóstico da causa da infertilidade, apesar de ser trabalhoso, é muito importante na escolha do procedimento a ser adotado para resolver o problema.

6. Por que os casais podem precisar de ajuda médica para ter filhos?

Nem sempre os obstáculos à fertilização podem ser removidos. Por exemplo, se uma infecção atinge as trompas, é produzida uma lesão no revestimento interno delas, que impede o livre transporte dos gametas e do oócito (óvulo). Como a lesão é no nível celular (isto é, as células morrem e em seu lugar ocorrem cicatrizes), não existe forma de se corrigir o problema. No entanto, o casal cuja mulher tem problema tubário pode ter gravidez por meio da fertilização in vitro. Assim, mesmo não sendo removido o obstáculo, é possível a reprodução por dos procedimentos de reprodução assistida (neste caso, a fertilização in vitro).

7. Quais são os processos de reprodução assistida?

Os procedimentos de reprodução assistida aproximam os espermatozoides dos óvulos, tornando mais fácil a obtenção de gravidez. Basicamente, são dois:

  • inseminação intrauterina
  • fertilização in vitro

O uso de uma ou outra técnica e a probabilidade de gravidez por uma delas depende do diagnóstico do casal, isto é, o problema de infertilidade não é nem só do homem nem só da mulher, mas dos dois. Por isso, não adianta só o homem ou só a mulher fazer exames para diagnóstico: é absolutamente necessário que o casal seja examinado e diagnosticado.

8. A mulher tem que utilizar hormônios para passar por processos assistidos de reprodução?

Sim. Os hormônios agem nos ovários da mulher, permitindo o crescimento de mais de um folículo (lugar onde fica o óvulo) em ambiente mais favorável, o que tem permitido obter uma taxa de gravidez maior. Esses hormônios são injetáveis e chamam-se, de modo geral, gonadotrofinas, dos quais o mais importante é o hormônio folículo-estimulante (FSH).

9. Os hormônios do tratamento produzem efeitos indesejáveis?

Sim. A sua magnitude depende da sensibilidade de cada paciente aos hormônios.

Os seguintes sintomas são mais comuns:

  • O aumento de peso (por retenção de liquido, que, após o tratamento, sai na urina);
  • A prisão de ventre;
  • A piora de algumas doenças pré-existentes (enxaqueca, gastrite, varizes);
  • E, muito raramente, aumento da coagulabilidade do sangue, permitindo a ocorrência de tromboses e embolias.

10. Quais são as diferenças entre inseminação intrauterina e fertilização in vitro?

A tabela abaixo mostra quando podem ser aplicados os processos, comparando os custos e as probabilidades de êxito. Em todos os casos, apenas o médico Especialista em Reprodução Humana tem a competência para decidir por um ou outro processo.

  Inseminação intrauterina Fertilização in vitro
Tubas (trompas) Pelo menos uma tuba íntegra Tubas não funcionam ou estão obstruídas
Motilidade espermática Pelo menos 5 milhões de espermatozoides móveis Menos de 5 milhões de espermatozoides móveis
Morfologia estrita dos espermatozoides Maior que 4% Menor ou igual a 4%
Cirurgia nenhuma Para extração dos óvulos
Custos menores maiores
Porcentagem (média) de gravidez 20 a 40% 30 a 60%

 

11. Quando não há óvulos (a mulher já é menopausada) ou o homem teve doenças nos testículos, como a caxumba, o casal ainda pode ter filhos?

Sim. No caso do homem, o casal pode utilizar Banco de Sêmen (sêmen de doador). No caso de insuficiência ovariana (menopausa), podem ser utilizados óvulos doados (Ovodoação). Em ambos os casos, a doação é espontânea e anônima.

12. O que pode alterar o sêmen?

A varicocele, dilatação venosa que surge no escroto, é uma causa associada à deficiência na produção dos espermatozoides. Acredita-se que a dilatação das veias produza aumento da temperatura no local, o que acarreta redução tanto no número quanto na motilidade dos espermatozoides. Com isso, diminui a probabilidade de ocorrer a fecundação.

As infecções dos testículos (orquiepididimites) podem produzir tanto a redução do número de espermatozoides quanto a falta de produção.

A criptorquidia (testículos que não descem para o escroto) pode produzir ausência de espermatozoides no líquido seminal.

Existem, ainda, muitas alterações dos hormônios que produzem deficiências na produção dos gametas masculinos; os hormônios, mais frequentemente, envolvidos são prolactina, hormônio folículo-estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH) e testosterona (responsável pelas características sexuais masculinas).

13. Tenho ovários policísticos e minha menstruação vem com muito atraso. Como saber se estou ovulando? O que devo fazer para engravidar?

Cistos são encontrados, com frequência, na ultrassonografia dos ovários. Um cisto ovariano, de modo simples, é uma bolsa de líquido, cuja origem é variada, podendo representar tumores, folículos ou cistos funcionais, entre outros. Os ovários chamados de policísticos (ou, às vezes, micropolicísticos) apresentam no ultrassom uma quantidade grande de pequenos cistos (diâmetro menor que 10 mm). Nem sempre esse aspecto corresponde a alguma doença ou a impossibilidade de gravidez; apenas a correlação da ultrassonografia com a clínica do paciente permite ao médico Especialista em Reprodução Humana uma conclusão diagnóstica adequada.

4.jpegA foto ao lado mostra um ovário pelo ultrassom. A letra F indica um número grande de folículos ovarianos, predominantemente situados na periferia do ovário. A parte central, que não tem folículos, é chamada de estroma. Esta é uma das imagens pela qual o ovário é caracterizado como policístico. Mesmo nesta condição, pode ocorrer gravidez. Porém, quando coexistem atrasos menstruais grandes (menstruação a cada 3 meses, por exemplo), obesidade, aumento de pelos e ovários como os da figura, em geral acontece uma redução da fertilidade da mulher. Neste caso, pode ocorrer um excesso de hormônios masculinos, criando-se um ambiente desfavorável para o crescimento dos folículos ovarianos e para a ovulação,

Entretanto, nem todos os ovários descritos como micropolicísticos são problema para a gravidez. A foto mostra o aspecto ultrassonográfico de um ovário com vários cistos, de distribuição não periférica. Na maioria das vezes, ovários desse tipo não estão associados a dificuldades de reprodução e alguns, pelo contrário, estão associados a ciclos regulares e ovulação.

O tratamento dos “ovários policísticos”, para efeito de reprodução, consiste em obter um ciclo em que ocorre ovulação. Em geral, isso é conseguido pela da administração de remédios que induzem o crescimento dos folículos, para a posterior ovulação. A maioria dos que são utilizados é constituída por FSH, hormônio já existente na mulher, que promove crescimento folicular. Quando for necessário reduzir a ação de hormônios masculinos, outros remédios podem ser associados ao FSH, como metformina.

14. Estamos tentando há 4 anos e não conseguimos a gravidez. Que exames podemos fazer para saber se temos problemas?

O diagnóstico, em Reprodução Humana, é, em geral, dependente de exames subsidiários. O médico Especialista em Reprodução Humana, após análise do quadro clínico do casal, saberá indicar quais os mais adequados, evitando gasto de tempo e de dinheiro com exames desnecessários. Alguns dos mais normalmente solicitados são descritos abaixo, não significando que sejam obrigatórios para elucidação diagnóstica em todos os casais.

Histerossalpingografia: permite observar a cavidade uterina e a permeabilidade das trompas. Se tiverem defeitos maiores, será necessária a fertilização in vitro.

Ultrassonografia: permite observar ovários e útero. Pode evidenciar, por exemplo, miomas uterinos, folículos e cistos dos ovários.

Dosagens hormonais: permitem a avaliação da função ovariana, de muita importância na prescrição para estimulação controlada dos ovários.

Espermograma: é o exame masculino mais importante para diagnóstico, evidenciando o potencial de fertilidade do homem.

Outros exames: em alguns casos, podem ser indicados exames específicos para determinada situação.

15. Meu marido é vasectomizado. O que devemos fazer: Reversão da Vasectomia ou Fertilização in vitro?

Casais cuja causa da infertilidade é a vasectomia prévia, podem ser tratados de duas formas. Uma delas é a reversão da vasectomia (recanalização dos vasos deferentes), cuja realização por microcirurgia produz resultados expressivos em termos de permeabilidade e de taxa de gravidez. Outra é a realização de fertilização in vitro, com resultados aceitáveis em relação à taxa de gravidez. A escolha de um ou de outro procedimento depende de vários aspectos, alguns dos quais estão descritos a seguir. Existem ainda outros fatores, peculiares a cada casal, que auxiliam na determinação do procedimento que poderá oferecer a maior chance de gravidez. Por isso, é necessária uma avaliação pormenorizada do casal, que extrapola o que foi apresentado aqui, antes que se decida por um ou por outro método. Apenas o médico Especialista em Reprodução Humana, após análise de cada caso em particular, pode oferecer a melhor decisão. 

A saber:

  1. Tempo de vasectomia: quanto menor esse tempo, maiores são as taxas de gravidez. Assim, em indivíduos com até 10 anos, essa taxa ultrapassa 70%; com mais de 10 anos, cai para 44%.
  2. Forma pela qual foi realizada a vasectomia: se houve cauterização extensa ou se foi retirado um fragmento de maior comprimento dos vasos deferentes, então a reversão pode não ser possível por falta de possibilidade material de efetuar a recanalização.
  3. Modo de se realizar a reversão: a utilização de técnicas microcirúrgicas (realizadas sob microscópio cirúrgico) produzem resultados de quase 100% de recanalização, sendo consideradas as mais eficientes para a reversão da vasectomia. Técnicas com utilização de lupa cirúrgica ou a olho “nu” produzem resultados piores tanto para as taxas de permeabilidade quanto para as taxas de gravidez.
  4. Permeabilidade tubária da parceira: se o pensamento de reverter a vasectomia está ligado à fertilização natural, então deve existir boa funcionalidade tubária, sem o que a gravidez natural não ocorre. Portanto, alguma avaliação do potencial tubário da mulher (em geral, a histerossalpingografia) deve ser realizada antes da decisão de reverter ou não a vasectomia.