Ensino e Pesquisa

Nossa MISSÃO como Grupo de Pesquisa é (i) entender muito bem as doenças que dificultam a obtenção da gravidez e (ii) propor novos alvos terapêuticos. Em especial, devemos ressaltar os resultados em pesquisa sobre infertilidade masculina e feminina com destaque para nossas publicações internacionais. Temos mais de 45 artigos internacionais em revistas de alto impacto, fomos citados por outros 300 artigos graças a essas contribuições e apresentamos mais de 70 trabalhos novos de pesquisa em Congressos Internacionais ao longo da última década. O grupo ainda recebeu prêmio no Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva por um trabalho nosso na área de infertilidade masculina, em 2006.

Em relação à fertilidade do homem, nossos estudos evidenciaram que a varicocele em adolescentes altera a qualidade do DNA dos espermatozoides mesmo quando o sêmen é comparável ao de adolescentes sem varicocele. Além disso, entendemos que a varicocele, em seus estágios iniciais, atua de uma maneira grau-dependente, e que a correção dela nessa fase da adolescência permite a melhora da qualidade seminal e da qualidade do DNA e das mitocôndrias dos espermatozoides, fato que torna o diagnóstico em adolescentes de grande relevância e a detecção de alterações precoces fundamental. Ainda sobre a varicocele, em adultos pudemos observar que ela diminui a qualidade funcional dos espermatozoides (integridade do DNA, das mitocôndrias e do acrossoma) e aumenta o estresse oxidativo seminal. Por fim, demonstramos que ela, da mesma forma, acentua os efeitos negativos do tabagismo sobre a fertilidade do homem.

Além desse trabalho, aprendemos muito com nossos estudos em homens com ausência de ejaculação devido à lesão de medula espinhal os quais apresentam uma série de alterações funcionais nos espermatozoides (além das alterações na qualidade seminal), além disso, a criopreservação de sêmen, para estes homens, não traz benefício.

Verificamos, também, que o tumor de testículo não diminui a qualidade do DNA dos espermatozoides após a retirada do testículo alterado, o que permite inferir que é melhor criopreservar o sêmen desses pacientes após a orquiectomia. Todavia, verificamos que a criopreservação em si aumenta o grau de fragmentação de DNA dos espermatozoides. Além disto, a presença de leucócitos no sêmen, comum em casos de infecção do trato genital, está associada ao aumento na taxa de fragmentação do DNA dos espermatozoides, o que leva à conclusão de que esses homens devem ser tratados, por causa da infecção, antes do tratamento de infertilidade.

Hoje, buscamos observar os biomarcadores proteômicos e metabolômicos nessas condições, tanto como moléculas diagnósticas quanto para alvos terapêuticos. Já pudemos sugerir biomarcadores proteicos para varicocele em adultos e em adolescentes, bem como demonstrar proteínas diferencialmente expressas em homens tabagistas com varicocele. Verificamos, também, a expressão de genes de proteção (HSPA2) e de apoptose (FasL) em adolescentes com varicocele com e sem alteração seminal, e em adultos com oligozoospermia. Além disso, recentemente demonstramos que a correção da varicocele em adultos altera as vias proteômicas e as funções de ontologia gênica enriquecidas, evidenciando um desvio da homeostase de inflamatório para reprodutivo associado à correção da varicocele.

Mais recentemente, temos buscado responder a questões ligadas à saúde reprodutiva das mulheres e pudemos comprovar biomarcadores proteicos para endometriose e lipídicos para metabolismo embrionário e como preditor para ocorrência de gravidez em ciclos de reprodução assistida. Sobre a endometriose, aprendemos que a doença está associada à expressão de proteínas específicas de estresse, apoptose e resposta aguda à inflamação. Nossos estudos ainda mostraram que as condições de cultivo embrionário podem influenciar as vias metabólicas que assumem, o que demonstra a importância do controle de qualidade no laboratório sobre o desenvolvimento embrionário. Nossos trabalhos com análise proteômica e lipidômica têm se tornado referência inclusive na área técnica, sendo utilizados pelas empresas de desenvolvimento de equipamentos de análise proteômica para disseminação de tecnologia.

Nossas pesquisas geraram, ao longo dos anos, diversas colaborações acadêmicas e com instituições privadas que fundamentaram esse trabalho. No panorama acadêmico, destacamos as parcerias internacionais: (i) com o Jones Institute for Reproductive Medicine, primeiro centro a gerar uma criança por fertilização in vitro nos EUA; (ii) com o John O. Almquist Research Center, centro de pesquisa em reprodução animal que revolucionou a biotecnologia da reprodução em inseminação artificial e análise proteômica de sêmen; (iii) com University of Miami Miller School of Medicine – The Miami Project to Cure Paralysis, Centro de pesquisa especializado em pacientes com lesão medular; (iv) com o laboratório de Proteômica e Bioanalítica da Technische Universität München; e (v) com a University of Leipzig, Medical Department, Institute of Medical Physics and Biophysics, grupo líder em análise lipidômica associada ao diagnóstico de doenças no sangue. Ainda, dentre nossas parcerias acadêmicas nacionais, destacamos o trabalho com: (i) o Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP); (ii) com o Laboratório de Morfofisiologia Molecular do Desenvolvimento da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP); e (iii) com os Laboratórios ThoMSon de Espectrometria de Massas e Dalton de Espectrometria de Massas, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dentre nossas parcerias com instituições privadas, destacamos as parcerias (i) com a Hamilton Thorne, empresa especializada em computador de análise de sêmen e laser para ablação de zona pellucida; (ii) com a Waters Co., uma das líderes em equipamentos de espectrometria de massas para análise proteômica; (iii) com a ABSciex, uma das líderes em equipamentos de espectrometria de massas para análise de metabólitos e hormônios; e (iv) com o Grupo Fleury.

Nosso compromisso com a geração de conhecimento já ajudou a responder a algumas questões alicerces sobre a infertilidade conjugal, uma condição de etiologia diversa e muitas vezes de difícil diagnóstico. Nossa pesquisa, hoje, mantém-se firme e resoluta em responder às grandes questões da infertilidade masculina e feminina. Continuamos focados em entender os mecanismos alterados nas diversas causas de infertilidade conjugal, para criarmos pontos de intervenção e continuarmos gerando informações importantes para a conduta clínica em diagnóstico, tratamento e prognóstico.