Estimulação Controlada dos Ovários

foliculovariomodOs folículos ovarianos são formados ainda no embrião feminino, em número finito, envolvendo os óvulos. Pouco antes do início de cada ciclo menstrual, um grupo de folículos dos ovários começa a crescer, pela elevação natural do hormônio folículo-estimulante – FSH, que ocorre nesse período.

A quantidade desse hormônio, no ciclo natural, é suficiente apenas para o desenvolvimento de um único folículo. Por isso, no ciclo natural, apenas um folículo (F) se desenvolve e vai ovular: os outros (f) “morrem”, levando consigo os óvulos. No entanto, pode ocorrer que o único folículo que se desenvolve tenha um óvulo de qualidade baixa, ou até que não tenha óvulo em seu interior.

Como resolver?

Este é o motivo da estimulação ovariana. Como os folículos “morrem” por falta de FSH,  administra-se  FSH para a mulher, o que favorece o desenvolvimento de vários folículos nos ovários, e aumenta a chance de se obter pelo menos um óvulo apto para a reprodução. 20210909_104439A administração de FSH é feita por meio de injeções subcutâneas diárias,  a partir do segundo ou terceiro  dia do ciclo menstrual, por um período variável (usualmente de 8 a 10 dias).

Os preparados comerciais, embora variem na composição e na forma de apresentação, agem aumentando a disponibilidade de FSH para os folículos, o que possibilita o crescimento de mais de um deles em um único ciclo.

Durante a aplicação desses medicamentos, a paciente será examinada periodicamente ovarioestimuladoatravés de ultrassonografia feita pela via vaginal, em geral, em dias alternados. A partir dos dados referentes ao número e tamanho dos folículos(f) em desenvolvimento, o médico determina a dose a ser aplicada naquele dia.

A administração de FSH tem potencial para produzir efeitos indesejáveis, o que depende da sensibilidade individual de cada mulher. Os principais efeitos colaterais são: dores de cabeça e nas mamas; distensão abdominal com cólicas e eventualmente diarreia, náuseas e vômitos. Algumas vezes, ocorre uma variação de humor semelhante a tensão pré-menstrual. Muito raramente podem acontecer tromboses e embolias, e, mais raramente ainda, uma síndrome grave conhecida como síndrome da hiperestimulação ovariana. Felizmente, essa síndrome é previsível e evitável.

Quando pelo menos um folículo atinge um diâmetro médio ao redor de 17 mm, então a estimulação ovariana cumpriu seu papel. Nessa ocasião, é aplicada uma medicação, também injetáve pela via subcutânea, chamada gonadotrofina coriônica humana, cujo papel é o de concluir a maturação dos óvulos. O horário da aplicação é determinado pelo médico e deve ser seguido rigorosamente pela paciente, uma vez que o sucesso da próxima etapa depende deste momento.

O exame ultrassonográfico transvaginal não envolve uso de radiação. O transdutor é envolvido por um condon de látex (camisinha), lubrificado com gel e introduzido na vagina da paciente. É exame usualmente indolor e, embora produza algum grau de desconforto, não produz efeitos colaterais graves. A alergia prévia ao látex ou ao gel deve ser comunicada ao médico ultrassonografista.

Dessa forma, a estimulação controlada dos ovários tem, como finalidade, a obtenção de mais de um óvulo, com o que o sucesso dos procedimentos de reprodução assistida é maior. Idealmente, dentro de cada folículo deveria existir um óvulo. No entanto, como já foi assinalado, podem se desenvolver folículos que não possuem óvulos, o que não pode ser determinado pela ultrassonografia. 

O número de óvulos obtidos, bem como sua qualidade, poderão ser conhecidos apenas se o procedimento envolver  fertilização in vitro; nos outros procedimentos (inseminação intrauterina, por exemplo), isto não poderá ser conhecido. Esse número varia para cada paciente e, também, varia em diferentes ciclos menstruais da mesma paciente.

Existem circunstâncias em que a estimulação não produz o efeito desejado, seja pela ausência de desenvolvimento dos folículos, seja porque o andamento do ciclo permite prever uma chance reduzida de encontro de óvulos, mesmo havendo folículos. Nestes casos, o processo poderá ser interrompido. Pacientes que apresentem tendência a insuficiência ovariana (se tiverem valores de FSH sanguíneo mais altos) são as que mais frequentemente tem o ciclo interrompido. Doenças que comprometem os ovários (especialmente a endometriose) também podem reduzir a resposta ovariana e resultar em suspensão do estímulo. Pacientes que possuem muitos folículos e, mesmo assim, apenas um cresce, também podem ter ciclo interrompido. Em todas essas situações, um novo ciclo poderá ser iniciado posteriorment