Injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI)

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Há mais de 20 anos, casais inférteis, devido a alterações seminais importantes, eram aconselhados a fazer inseminação artificial intrauterina com sêmen de doador ou adotar uma criança. Isso porque os espermatozoides em pequeno número ou com alterações qualitativas importantes não conseguiriam penetrar no óvulo. Nesse caso, não se beneficiando nem da FIV Clássica que depende da capacidade do espermatozoide penetrar no óvulo.

Atualmente, esses mesmos casais encontram na injeção intracitoplasmática de espermatozoides em óvulos (ICSI) (Intracitoplasmatic Sperm Injection) uma possibilidade real de constituírem família com seu próprio material genético.

Indicações atuais da ICSI

Quando os espermatozoides do ejaculado apresentam:

  • Oligozoospermia (baixa quantidade de espermatozoides),
  • Astenozoospermia (baixa motilidade de espermatozoides),
  • Teratozoospermia (alteração na forma dos espermatozoides),
  • Anticorpos anti-espermatozoides,
  • Falhas repetidas na fertilização com FIV (fertilização in vitro clássica),
  • Sêmen criopreservado de pacientes com câncer e curados,
  • Distúrbios ejaculatórios.

Procedimento técnico

Uma vez que o casal tenha sido avaliado e a indicação de ICSI formalizada, os passos seguintes apresentam vários aspectos em comum com o programa de fertilização in vitro clássica, excetuando-se a micromanipulação de gametas propriamente dita.

Sequência de ICSI (Injeção intracitoplasmática de espermatozoides)

Principais etapas:

  • Estimulação controlada dos ovários
  • Punção dos folículos
  • Denudação dos óvulos e classificação *
  • Micromanipulação dos gametas e cultura in vitro*
  • Transferência dos pré-embriões
  • Suporte de fase lútea

* Estas duas etapas são as que diferenciam este programa (ICSI) do programa de fertilização in vitro clássico (FIV).

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Determinantes do sucesso com ICSI

Os 3 parâmetros clássicos do espermograma, concentração, motilidade e morfologia, parecem não influenciar no resultado com a ICSI. Contudo há alguma discussão em relação à morfologia.

Alguns autores acreditam que a morfologia tem influência na taxa de implantação, enquanto outros acreditam que não. Todos são invariáveis em apontar a idade da mulher, ou seja, a qualidade da reserva ovariana, como o principal responsável pelo sucesso neste programa. Com a técnica de ICSI podem-se esperar taxas de gravidez entre 40% e 50% por ciclo.

Há riscos genéticos para a prole quando empregamos a ICSI?

O emprego da ICSI oferece um tratamento efetivo para os pacientes com fator masculino grave. Se houver espermatozoides viáveis, a taxa de gravidez não é afetada pela qualidade do sêmen, porque essa técnica atravessa a zona pelúcida (camada de célula externa do óvulo) e o oolema (parte interna do óvulo) para transferir o genoma masculino diretamente ao óvulo. A ICSI também pode ser realizada em homens azoospérmicos (ausência de espermatozoides no ejaculado), uma vez que os espermatozoides também poderão ser obtidos do epidídimo ou do testículo. Todavia, como o espermatozoide usado para a fertilização é selecionado pelo operador, e não selecionado naturalmente pelo trato reprodutivo feminino, zona pelúcida ou pelo oolema, existem preocupações em relação à transmissão de anormalidades genéticas para a próxima geração.

Embora existam artigos na literatura apontando uma incidência maior de anormalidades relacionadas ao cromossomo sexual, a ICSI é compatível com o nascimento de crianças saudáveis, e não pode ser considerado um procedimento experimental.

Um estudo com um número grande de crianças nascidas pela técnica de ICSI (Bowen, 1998) concluiu que essas crianças, aos dois anos de idade, apresentavam o mesmo desenvolvimento que crianças nascidas pela técnica de fertilização in vitro clássica e, ambos os grupos, apresentavam um desenvolvimento superior àquelas nascidas de pais férteis por reprodução natural.