Tratamento de Alta Complexidade

 Fertilização in vitro e transferência intrauterina de embriões

IMG_0569Esse procedimento se divide em 4 etapas:

  1. estimulação controlada dos ovários;
  2. punção dos folículos e aspiração dos óvulos;
  3. fertilização dos óvulos com espermatozoides,  pela técnica clássica (FIV clássica) , ou pela injeção nos óvulos (ICSI);
  4. transferência dos embriões formados para dentro do útero, 3 a 5 dias após a fertilização.

A fertilização in vitro ainda pode ser agregada a outros procedimentos como congelamento (criopreservação) de óvulos e de embriões e analise genética dos embriões.

As  indicações para uso desta técnica são, entre outras:

  1.  infertilidade por obstrução (física ou funcional) das tubas (infecções, aderências, endometriose, etc.);
  2.  presença de alterações profundas na morfologia, concentração ou motilidade dos espermatozoides;
  3. falta de espermatozoides  no ejaculado: neste caso, conforme o diagnóstico, eles podem ser cirurgicamente obtidos  testículos ou dos epidídimos, e injetados nos óvulos;
  4. casal em que não houve sucesso em outros processos assistidos de reprodução;
  5. casal com potencial para produzir embriões com alterações genéticas (porque tem antecedentes familiares ou pessoais). Neste caso, a fertilização in vitro permite que seja feita análise cromossômica do embrião.
  6. casal em que um dos parceiros tem doença cujo tratamento implique em alteração da produção de gametas (por exemplo, radio ou quimioterapia).

A taxa de sucesso está próxima de 50% por ciclo.

 

 Ovodoação

1373858_42342101A doação de óvulos é o procedimento indicado quando a paciente apresenta:

1.. uma insuficiência ovariana muito acentuada, na qual ou os ovários não respondem ao estímulo ou respondem produzindo óvulos cuja qualidade não é suficiente para fertilização;

2   menopausa ou na menopausa precoce;

3   ovários retirados cirurgicamente (por endometriose grave ou tumores, por exemplo);  ou

4   malformações genéticas que impedem a formação de embriões geneticamente viáveis.

A doação é anônima e não comercial, e a doadora, além de ter características fisicas semelhantes as da receptora, deve também ser jovem (menor que 37 anos), sem doença familiar hereditária, sem doença atual em curso, e com potencial para responder com muitos óvulos à estimulação ovariana.

A metade dos óvulos obtidos será doada para a receptora e, depois de fertilizados, transferidos para ela.

Um caso especial de ovodoação é chamado de ROPA (Reception of Oocyte from Partner).  Trata-se de um casal homoafetivo do gênero feminino, no qual uma das parceiras doa os óvulos para que a outra engravide. A fertilização se dá pelo sêmen de banco, previamente escolhido pelo casal.

A taxa de sucesso nesse procedimento é semelhante à da fertilização in vitro.

  Útero de substituição (“barriga de aluguel”)

Este procedimento está indicado em:

1…casais nos quais existem problemas uterinos impedientes da gravidez, ou pessoa solteira do gênero feminino, com mesmo problema:

  • ausência de útero, por motivos cirúrgicos, em casos de acidentes ou tumores;
  • malformações uterinas congênitas (útero infantil) ou adquiridas (aderências na cavidade uterina derivadas de procedimentos como curetagens, por exemplo);

Neste caso, a parceira do gênero feminino realiza ciclo para fertilização in vitro, os óvulos obtidos são fertilizados com os espermatozoides de seu parceiro (ou de banco de sêmen, se solteira) e transferidos para o útero da “doadora de útero“, previamente preparado.

O processo é similar a ovodoação:  a paciente com problema uterino é doadora dos óvulos  para a portadora de útero, que funciona como receptora e gera o filho para a doadora dos óvulos. Da mesma forma que numa ovodoação, a receptora terá o útero preparado para receber os embriões.

2…casais homoafetivos do gênero masculino.

Neste caso, deverá ser escolhida uma doadora de útero e de óvulos, para gerar o filho do casal. Podem ser duas pessoas do gênero feminino (uma doa os óvulos e outra o útero) ou uma só pessoa, que doará os óvulos e o útero.

No caso de duas pessoas, o processo é semelhante à ROPA, a fertilização podendo ser feita com o sêmen de um dos parceiros ou, se o casal desejar, pode utilizar o sêmen dos dois, dividindo os óvulos. No caso da mesma pessoa doar óvulos e útero, o processo é semelhante à fertilização in vitro.

Em todos os casos, a doadora de útero deve ter ao menos um filho vivo, e deve pertencer à família de um dos membros do casal, em parentesco até o quarto grau (Conselho Federal de Medicina).